"Tome cuidado para não perder, porque esta bala nuce se acaba. Dura a vida inteira."
(Lispector, Clarice. Medo da Eternidade. Pg.1-2)
Achei essa crônica muito interessante. Ao ler ela pensei muito na minhas experiências e as dos outros. Parece que quando somos apresentados com "a eternidade" ficamos supresos e preocupados. Por que é assim? A mulher nesta situação queria algo que a sua irmã tinha. Mas, ao receber o chiclete ela nem sabia o que aconteceria. No início, quando tudo estava bem, ela queria seguir nos passos da sua irmã. Mas, no momento da eternidade, quando o sabor mudou, ela não queria mais. Quantas vezes isso acontece na nossa vida? Pensamos que o chiclete é o que nos queremos e quando algo ruim acontece ou diferente do que queremos, queremos fora. É isso que ela sentiu, o peso da eternidade, a responsabilidade da vida, e no fim não quis assumir. Mas a coisa legal é que ela não pode fugir do chiclete por dura a vida inteira.
Adorei esta perspectiva sua. Nem pensei muito nesta parte do conto e acho que talvez seja a parte mais poderoso. Tantas vezes nós ficamos tão animados por uma coisa que não presta e depois temos que tratar com as consequencias da nossa decisão. Felizmente pela mocinha, a retribuição foi fácil. Lançar o chiclete fora.
ReplyDeleteGostei bastante seu comentário. Ao ler esse conto, sempre penso sobre o fato que nunca estamos satisfeitos com as coisas que temos. Muitas vezes, não damos valor para as coisas que temos até quando não as temos mais. Esse conceito me faz lembrar um pouco do conto sobre o ex-mágico nesse respeito. Quando as coisas não acontecem na maneira em que queremos, é muito fácil ser desapontado. Temos que aprender que feliz é o homem que não tem tudo, mas o homem que está satisfeito com o que tem.
ReplyDeleteBom comentário. Gostei muito como você falou da responsabilidade de eternidade. Também acho que ela queria tanta a responsabilidade como sua irmã até a bala chegou na boca. Naquele momento ela tinha que tomar a decisão de ficar com a responsabilidade para sempre ou não. Talvez devemos ficar contente com as coisas que temos e procurar a as gostar.
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